terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Custódio Pinto – “Cabecinha” das participações europeias do FC Porto de tempos antigos e “Capitão” da Taça de 1968!


O FC Porto é no século XXI o clube português com melhor historial nas provas europeias de futebol, possuindo o melhor palmarés desde que ainda no século XX começou a somar títulos e a ganhar prestígio, posicionando-se presentemente como um dos grandes, com mais presenças na Liga dos Campeões, além de entre portugueses ter mais títulos a nível europeu e mundial.

= Pinto já na equipa principal do FC Porto, nos seus primeiros tempos de azul e branco.  Em cima, a partir da esquerda: Américo, Arcanjo, Paula, Festa,  Ívan e Virgílio; em baixo, pela mesma ordem: Carlos Duarte, Pinto, Serafim, Perdigão e Jaime.

Antes ainda do FC Porto ser também o único clube português vencedor da Supertaça Europeia e da Taça Intercontinental, na anterior versão do Mundial de Clubes que o FC Porto venceu por duas vezes, anteriormente a isso, recordamos, enquanto o clube azul e branco foi conseguindo apenas alguns bons momentos nas participações em provas europeias de antanho, alguns elementos do clube foram tendo salientes prestações, como foi o caso de Custódio Pinto, alguém que enquanto jogou pelo FC Porto era detentor da melhor soma de golos do FC Porto no plano internacional.     

Custódio Pinto, apelidado de “ Cabecinha de Ouro”, como “de Diamante”, pelo seu bom jogo de cabeça, era um futebolista que durante os jogos corria pelo campo todo, tendo ficado na memória portista também como o “Capitão” que levantou a Taça de 1968 para o F. C. Porto. Normalmente conhecido por “Pinto do Porto”, como mais popularmente era chamado, até para o distinguir ao tempo de seu irmão (Manuel Pinto) que jogava a defesa do Guimarães, passou depois a ser também referido por Custódio Pinto, quando já em finais dos anos sessentas teve o irmão a seu lado pela seleção nacional.

= Custódio Pinto em foto "à civil", autografada, e com a camisola da Seleção A portuguesa

Ilustrando a afirmação, de ser considerado "Cabecinha", foi de um desses epítetos elogiosos uma coluna jornalística do ano de 1968, que respigamos como exemplo, por meio dum recorte d’ “O Porto”.


Esse Pinto, de nome completo Custódio João Pinto, foi então um valor de alto coturno dentro da mística Portista de outrora, na sensibilidade clubista há umas décadas recuadas, quando chegou a ser recordista de golos em competições oficiais das provas europeias. Pois, aquele antigo ariete do F. C. Porto, mantendo-se ainda na lista dos melhores goleadores ao longo da História do F C Porto, também teve um recorde de golos ao nível internacional, num tempo em que o clube acabava por disputar menos jogos em pugnas europeias.


Efetivamente, até há alguns anos atrás, Custódio Pinto foi recordista de golos marcados pelo F. C. Porto nas competições da UEFA, como se pode ver em caixa incluída no Palmarés Internacional do FCP até aos finais dos anos setentas - conforme publicação no primeiro dos dois pequenos livros intitulados “A Vida do Grande Clube Nortenho” (escrito por Luís César, através de edição publicada em 1978 pelas “Selecções Desportivas”).


Entretanto Custódio Pinto ficara ligado à saga dos Magriços, como um dos representantes do F. C. Porto na campanha do Mundial de 1966 disputado na velha Albion, junto com Américo e Alberto Festa, embora sem ter jogado na fase final (por na altura o FC Porto também não ter nos órgãos federativos quem defendesse os interesses do clube e olhasse pelos seus elementos, como acontecia com os outros nesses tempos do sistema BSB, com os presidentes da Federação a serem, em mandatos à vez, só do Benfica, Sporting e Belenenses)…


Com a mão na massa de exaltação da representatividade do Pinto na ambiência Portista, não se pode deixar escapar qualquer ensejo de recordar bem o feito maior desse tempo, a conquista que mais encheu de júbilo a nação Portista, como foi a Taça de Portugal conseguida em Junho de 1968. Na qual Custódio Pinto esteve de corpo e alma, tal como mostra a histórica fotografia do levantar da taça em plena tribuna de honra do Jamor, perante o feliz orgulho do Presidente Pinto de Magalhães.


Custódio João Pinto, como era seu nome completo, veio do sul e arreigou-se ao Porto. Nascido a 9 de Fevereiro de 1942, no Montijo, começou a jogar futebol no clube de sua terra, C.D. Montijo, até que em 1961/62 foi contratado pelo Futebol Clube do Porto e logo se revelou um bom avançado, tendo dividido os golos da equipa principal com o goleador brasileiro Azumir, colega que na época foi o melhor marcador do campeonato nacional. Depois teve uma carreira distinta que o levou a ser considerado das melhores referências do clube. Tendo entretanto vestido a camisola azul e brancas durante dez temporadas, entre 1961/62 a 1970/71. Pelo FC Porto venceu por 5 vezes a Taça Associação de Futebol do Porto (em 1961/62, 1962/63, 1963/64, 1964/65 e 1965/66) e a Taça de Portugal de 1967/68. Ao longo de 242 jogos que disputou no campeonato e 80 golos marcados. Havendo, apesar de tudo, jogado 13 vezes pela Seleção A de Portugal, além de uma anterior pela seleção de Promessas e algumas outras pela seleção B, como também pela seleção Militar.


De permeio esteve algumas vezes perto de ajudar o clube a vencer o campeonato, coisa impossível nesse tempo da travessia da ponte mais roubos de igreja do sistema das arbitragens a mando BSB… Algo porém que em 1968/69 esteve mesmo muito perto de ser alcançado, como o autor recordará para sempre, enquanto jovem adepto ainda sem conhecer o título nacional, que se escaparia então pelo caso de Pedroto versus Custódio Pinto, Américo Lopes, Eduardo Gomes e Alberto Teixeira.


Até que, em 1971, antes do início da época de 1971/72, por decisão do treinador desse tempo, António Teixeira, o “Pinto do Porto” foi dispensado. Então Custódio Pinto rumou ao Vitória de Guimarães, onde passou a jogar mais com o irmão e teve ainda ensejo de ser dos melhores expoentes do clube vimaranense e mesmo dos maiores referenciais do campeonato português. Pondo por fim final à carreira de futebolista no fim da temporada de 1974/75.


Durante a sua permanência no FC Porto, onde era um autêntico símbolo, entre diversos factos esteve presente na noite da primeira vitória oficial do FC Porto em provas europeias, quando a 16 de Setembro de 1964 brilhou com dois golos e uma exibição de luxo na partida em que o F.C. Porto venceu o Olimpique de Lyon por 3-0, então para a Taça dos Vencedores das Taças (mais tarde extinta e com direitos de participação dos respetivos vencedores das taças, na Taça UEFA, atual Liga Europa).


Mais tarde pôde regressar ao FC Porto, numa justa reabilitação clubista, havendo integrado os quadros técnicos portistas. Foi então mesmo campeão nacional,  como treinador principal dos juniores do FC Porto.
Faleceu a 21 de Outubro de 2004.

= Plantel de Juniores do FC Porto da Época 1986/87. Em cima, da esq. p/ dta: Joaquim Carvalho, Vítor Baía, Oliveira, Fernando Couto, Zé Nuno Azevedo, Best, Zé Luis, Sérgio, Lai, Telmo Lopes e Custódio Pinto (Treinador). Em baixo pela mesma ordem: Fernando, Jorge Couto, João Paulo Tomás, Tozé Santos, Cabral, Domingos Paciência, Carlos Secretário e Zé Nando.

Merecedor de figurar em lugar de realce na História do FC Porto, Custódio Pinto justifica exaltação como nome importante do clube e do futebol nacional, conforme em apoteose recordamos com uma imagem de quadro pessoal, mais a sua ficha da galeria dos Internacionais do FC Porto (em trabalho histórico-literário de Rodrigues Teles, em 1968).  

Armando Pinto

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sábado, 3 de dezembro de 2016

Quebrada a malapata…! FC Porto finalmente vence para o Campeonato da Liga de futebol, diante do Braga. Confronto propício para outra evocação memorial...


O FC Porto, com boa exibição, reduziu o forte Sporting de Braga a uma mera equipa defensiva, mas a bola não havia meio de entrar… até que, já no período de descontos, o jovem Rui Pedro, que havia entrado para reforçar o ataque, marcou o golo que estava fadado.


Parecia até haver algo surreal, qualquer coisa maldita, qual maldição de bruxaria, mesmo que mental de quem fazia figas para que o FC Porto ficasse longe dos lugares cimeiros, fosse como fosse. Depois de tantas roubalheiras das arbitragens, estava a interiorizar-se que se sucederia a fase dos empates, com a bola a não entrar nas balizas dos adversários, tal o estado de ansiedade e falta de discernimento que a equipa azul e branca patenteava. Eram remates ao poste, guarda-redes e seus defensores a meter o corpo quase em cima do risco, empurrões, ao jeito das famosas placagens à sistema limpinho, limpinho... de tudo acontecia. Mas de tanto teimar, o golo surgiu, enfim.


Felizmente, Rui Pedro conseguiu quebrar o enguiço, destruir defumadouros psíquicos e voltar a dar alento às Hostes Portistas que tanto ansiavam esta vitória.


Ficam desconsolados os que já esfregavam as mãos, pensando no que iam escrever e dizer sobre mais um empate, mas desta vez a bola entrou mesmo. Era demasiado injusto que tanto ataque à baliza contrária não surtisse efeito. Porque, pese o que se pense cá fora, a mensagem interna tem sido forte, como se nota no facto da equipa não sofrer golos há bom tempo e desenvolver jogadas dirigidas ao reduto do outro lado do campo, mas estava a faltar a bola entrar, em golo validado pela arbitragem, finalmente. O que já havia sucedido antes, em mais golos anulados,  desta vez um por inventada falta e outro por pretenso fora de jogo à lupa, tal como havia acontecido no jogo anterior num fora de jogo duvidoso. Qal o caso de na dúvida o FC Porto ser sistematicamente prejudicado. Só que neste caso, este sábado, a jogada decisiva nasce num bom passe, a rasgar a defesa, e Rui Pedro surgiu de trás, por entre os defensores bracarenses, senão teria havido mais algum fora de jogo tirado ao milímetro de olhos vesgos.

Mérito também no desenrolar do prélio para o guarda-redes bracarense que, além de antes da marcação da penalidade se ter mexido à farta, teve sorte de se ter atirado para o lado que o André Silva rematou, no penalti não convertido pelo FC Porto, mas depois acabou por realizar uma daquelas exibições que alguns guarda-redes costumam fazer muito quando defrontam equipas grandes, estando naturalmente mais em ação e com o passar do tempo ganharem confiança.

O caso, se bem que sem ter tanto a ver, nesse aspeto, dá oportunidade para, num espaço também de memória como este, lembrarmos um guarda-redes que noutros tempos foi grande no futebol português ao serviço, precisamente, quer do FC Porto como do Braga – o guardião Armando. Esse mesmo Armando Silva que defendia muitos penaltis, não tanto por acaso, mas com frequência, sendo como era isso uma das suas especialidades. Puxamos assim aqui para nós a recordação desse bom guarda-redes de outrora, o sr. Armando Pereira da Silva que admiramos e temos como amigo de longa data, a propósito deste embate entre o FC Porto e o Braga, evocando uma das vezes em que o mesmo se exibiu à altura num jogo entre as suas duas equipas – como se pode ver em duas imagens, com duas das suas intervenções.


Agora, regressando à atualidade, o FC Porto volta a aproximar-se dos lugares da frente, em fim de semana que o Benfica perdeu porque desta vez não teve árbitros a ajudar. Ficando a sensação que, se a equipa portista passar a atuar com serenidade e confiança, tudo será sempre possível.

Armando Pinto
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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Efeméride do Dia - A vitória da inauguração do estádio da Luz


Em dia de grande significado na História da Pátria, quando se comemora a restauração da independência portuguesa no final da agregação à monarquia castelhana, celebra-se também a conquista duma vitória particular que resultou na conquista do belo trofeu alusivo à inauguração do estádio da Luz, em 1954. Aquela taça sempre apontada como interessante atração do Museu do FC Porto by BMG.

Então, o dia 1 de Dezembro de 1954 ficou para a história por esse trunfo, em que o FC Porto bateu o Benfica na partida de inauguração do original Estádio da Luz, ao tempo ainda conhecido por estádio de Carnide.

O F.C. Porto alinhou com: Barrigana; Virgílio e Carvalho; Pedroto, Valle e Joaquim; Carlos Duarte, Hernâni, Teixeira, Monteiro da Costa e José Maria. Jogaram ainda: Perdigão, Eleutério e Carlos Vieira.

Os Dragões venceram a partida por 3-1 com os golos da vitória a serem apontados por: Jacinto (na própria baliza), Carlos Duarte e Perdigão.

Reportando o caso, lembra-se a propósito essa jornada com imagem da equipa que subiu ao relvado do estádio lisboeta nesse dia, mais uma foto de instantâneo do final do jogo e uma de visualização do correspondente galardão, o Trofeu Cosme Damião, alusivo à festiva inauguração do primeiro estádio da Luz, do Benfica.


= Equipa do FC Porto da Época de 1954/55, em dia da inauguração do Estádio da Luz, a 01/12/1954, na pose do conjunto inicial (mais guarda-redes suplente): em cima, da esquerda para a direita - Barrigana, Virgílio Mendes, José Pedroto, Ângelo Carvalho, Joaquim Machado, José Valle e Pinho. Em baixo pela mesma ordem - Carlos Duarte, Hernâni Silva, António Teixeira, Monteiro da Costa e Zé Maria.

Armando Pinto

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Virgílio Mendes - Um Senhor da História do FC Porto


Na linha de deitar os olhos por factos de interesse portista, pomos mão desta feita na efeméride do dia, para o efeito. Porque uma das efemérides correspondentes ao dia da véspera da chegada de Dezembro, vem a calhar para recordar um senhor futebolista eterno da história do FC Porto, Virgílio, o famoso Dragão que foi conhecido por leão de Génova, pela grande exibição que fez em Itália num célebre jogo pela seleção portuguesa. Virgílio Marques Mendes que foi um dos grandes nomes do F C Porto, como futebolista, depois treinador das camadas jovems, adjunto e responsável episódico na equipa principal, além de colaborador em diversas áreas, sempre ao serviço do Futebol Clube do Porto..

Ora então  foi «há 69 anos, a 30 de novembro de 1947, que passava no Bessa o primeiro episódio do “Fenómeno do Entroncamento”. Virgílio Mendes, o avançado que Eládio Vaschetto transformou em lateral, estreou-se no Nacional da I Divisão com a camisola do FC Porto numa vitória por 3-0 sobre o Boavista, selada com golos de Freitas, Araújo e Correia Dias. Desde que Soares dos Reis, lendário guarda-redes dos azuis e brancos e mais tarde dirigente, o convenceu a trocar o Ferroviários pelas Antas, Virgílio venceu dois Campeonatos e duas Taças de Portugal. Foi ainda o primeiro jogador a ultrapassar a barreira dos 400 jogos oficiais com a camisola do FC Porto, atingindo os 436. Ao serviço da seleção nacional somou 39 internacionalizações e conquistou a alcunha de “Leão de Génova” depois de uma exibição inspirada frente à poderosa Itália de Mazzola.»

A propósito dos primeiros tempos de Virgílio como futebolista do F C Porto, temos desta vez excertos de publicações coevas, através duma entrevista do próprio à revista Stadium e da mesma uma coluna referente à temporada de seu serviço militar, ao tempo, dando mostras de amor à camisola, como se pode ler..


Armando Pinto

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segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Faleceu mais um portista de cepa – Pinto Lopes


Chega ao nosso conhecimento, via comunicações de facebook, a notícia do falecimento dum senhor cujo nome em tempos foi sensivelmente conhecido dos meios portistas, a nível das modalidades amadoras, e politicamente era afamado em seu concelho natal, Penafiel: o senhor Pinto Lopes, de Entre-os-Rios.

Não conheci o senhor Pinto Lopes pessoalmente, embora o tenha visto pelas Antas. Colocando na primeira pessoa esta referência, por ser precisamente uma alusão em nome pessoal. Mas durante anos li diversas menções que lhe iam sendo feitas enquanto desempenhou lugar de dirigente do FC Porto, quer na natação como no voleibol, ao tempo das presidências do Dr. Américo Sá (escrevendo de memória, de quanto me lembro, agora). Dando-se o caso dele ser também Armando de sua graça, em cujo nome de seguida também era Pinto, facto que chegou a criar alguma confusão no jornal O Porto (segundo me contou um jornalista do clube, à época), sempre que à redação chegavam cartas com artigos meus, e ao mesmo tempo artigos sobre a atividade clubista do mesmo, cujo nome similar igualmente aparecia. O que já não sucedia quando era escrito o nome completo, Armando Pinto Lopes, como era o dele, efetivamente. Daí eu ter tido inicial conhecimento sobre esse senhor que era um dos diretores do FC Porto, por sinal muito elogiado em sua dedicação clubística. Mas nunca tive oportunidade de estar com ele, entretanto. Assim como à posteriori, em referências narrativas de matéria desportiva, cheguei a ler algo de confusão havida com um outro sr. Pinto Lopes, esse do boxe do FC Porto. Sabendo porém, por quanto me pude aperceber, que o sr. Armando Pinto Lopes, passara a dedicar-se mais a assuntos de sua terra, sendo um interveniente da política local de Eja, freguesia a que pertence a sua linda Entre-os-Rios.

Ora, Armando Pinto Lopes foi durante larga sequência de anos um destacado político no concelho de Penafiel, havendo concorrido por diversas vezes nas eleições autárquicas pela sua freguesia. Numa vida assim deveras preenchida, ao longo de seus 91 anos, idade com que faleceu. Havendo deixado seu nome ligado à vida dos Bombeiros Voluntários de Entre-os-Rios, em cuja corporação desempenhou diversos cargos e chegou a ser presidente, bem como presidiu à Junta de Turismo de Entre-os-Rios e à mesa da Assembleia da sua freguesia de Eja, assim como foi membro da Assembleia Municipal de Penafiel, órgão que aprovou a sua condecoração com a medalha de mérito municipal. Além de sua atividade autárquica e associativa, teve intervenções de cidadania como recuperador de tradições locais, sendo o principal dinamizador da procissão de Endoenças que anualmente é caraterística das margens daquela conhecida localidade na semana da Páscoa. Enquanto, de permeio, havia igualmente honrado sua região como historiador e era apreciado contador de histórias.

Sabendo agora de seu falecimento, ocorrido na última sexta-feira deste mês de novembro, dedicamos-lhe estas simples palavras de homenagem, por quanto seu nome foi falado no mundo portista, ele que era um grande portista, conforme dele o autor destas linhas ouviu referências. Paz à sua alma. E no Infinito alcançado que possa velar também pelo FC Porto, dentro do possível.

Armando Pinto

sábado, 26 de novembro de 2016

À Atenção Superior do FC Porto


- Podia “mandar umas postas” agora no facebook, ou noutra rede social, para ir na onda, depois de mais um empate que leva a que o título do campeonato comece a ser uma miragem, já, mas prefiro escrever apenas aqui, desabafando entre pessoas do mesmo denominador comum, em espaço reservado do meu Portismo, onde não admito faltas de respeito…

E, posto isto, cá vai e fica, a quem de direito:

O futebol sénior do FC Porto atingiu o ponto mais baixo da era moderna. É tempo de dizer basta, ou por outro lado, não de dizer mas de fazer qualquer coisa para mudar a situação. Assim não pode continuar. Isto está a atingir raias da incompreensão. Como é que uma equipa com bons valores empata sucessivamente com equipas medianas, para não dizer outra coisa?!

Sentimos naturalmente que o mal começou fora, mas acaba por destruir dentro. Com isto tudo ganha o sistema que consegue levar a água a seu moinho, pela má-fé dos corruptos que estão à frente do sistema futebolístico português. Porque também tem faltado trabalho de casa à maneira dos tempos da dupla Pedroto-Pinto da Costa, para lutar contra o sistema, e não à espera como agora que diabos se tornem anjos.

De qualquer forma, com a situação atual, urge tomar medidas. Se a direção está condicionada pelas campanhas derivadas do apito inventado, será melhor pôr os interesses do clube acima de tudo.

Não é por um ou outro bom valor ter saído, que pessoalmente estou desgostoso e desiludido, quando alguns dos que saíram eram muito melhores do que outros que ficaram ou que ainda estão. No FC Porto isso não é novidade. Basta lembrar, e já sem recuar demasiado no tempo, que na transição dos anos sessenta para os setenta aconteceu algo do género, por exemplo, com o Custódio Pinto, que era dos melhores e grande referência do clube, e acabou por sair ingloriamente quando tinha muito para dar ao seu e nosso clube, tal como anos depois aconteceu com o Gomes, também por exemplo, para não falar em mais. Assim como não é só por estar na moda criticar tudo, pois muitas opiniões são derivadas por outras motivações. E não é só agora que o Porto não ganha, pois até 1976/77 não ganhava quase nada, e só a partir de 1977/78 voltamos a ser campeões, coisa que havia antes acontecido em 1959. Claro que nos habituamos a ganhar em futebol mais a partir de 1984/85, e o difícil é manter a estabilidade, quanto à superioridade, perante tanta contrariedade. Mas há que saber dar a volta e, se for o caso, sair a tempo, para dar vez a outros que possam fazer melhor daqui em diante. Ou então dar um safanão no que precisa muito de ser mudado.Com conta e medida.

Assim como está, no FC Porto, isto não pode continuar. Há empates e empatas demais!

Armando Pinto

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

"Casos" da Seleção A do futebol português – a propósito dos primeiros convocados… do FC Porto!


Vem de longe a tradição da seleção portuguesa de futebol ser mais dos organismos federativos, em vez de representar o todo nacional. Fama, afinal, de ser regida por escolhas segundo interesses dos maiorais do sistema desportivo luso, que teve pontos cumeados nas injustiças perpetradas nas escolhas de Luz Afonso e Otto Glória aquando do Mundial de 1966 e na palermice de Scolari na campanha culminada no Europeu de 2004, entre tantos e diversificados "casos".

Desta feita, o tema traz a lume anterior ocorrência, do início dessa sequência, dando para evocar Lino Moreira e Artur Augusto (individualmente nas imagens de cima), que integraram a equipa do FC Porto triunfante na primeira prova oficial a nível geral do país.


Recuando aos primórdios, então, aos tempos em que o FC Porto teve os primeiros campeões de Portugal, recorde-se, a propósito da efeméride do dia:

A 25 de novembro de 1921 Lino Moreira e Artur Augusto tornavam-se os primeiros futebolistas do FC Porto a serem convocados para a seleção nacional. Foi há 95 anos e desde então o FC Porto manteve sempre a tradição de ceder atletas à seleção e também a seleções de outros países.

Contudo, nessa primeira vez, em 1921, acabou por ter jogado somente Artur Augusto, ficando então de fora Lino Moreira, e não só…

(Imagem de Dezembro de 1921, que, como se nota pela legenda, foi publicada numa revista da especialidade há quase quatro décadas...)

Ora, assim sendo, logo nessa primeira ocasião em que foi escolhida uma seleção para representar Portugal começou a saga que leva a que as seleções ditas portuguesas não sejam assim de verdade, como se tem sentido pelos tempos fora. Há diversas referências ao facto de tal pontapé de saída, ao início dos anos 20, do século XX, cuja ocorrência foi muito bem descrita em resumo de Fernando Moreira no seu trabalho “Dragões de Azul Forte - Retalhos da história, conquistas e vitórias memoráveis, figuras e glórias do F. C. do Porto”, no blogue “Bibó Porto, carago”:

» … A escolha dos que integrariam a equipa estava a cargo da Comissão Técnica da Associação de Futebol de Lisboa. Logo de início foi notório o desentendimento no seio daquela comissão… Por outro lado, a Norte, a Associação de Futebol do Porto foi surpreendida (ou talvez nem por isso…) pela não chamada de dois atletas do FC Porto que eram apontados pela imprensa como indiscutíveis: António Lino Moreira, guarda-redes, e José Tavares Bastos, um avançado de grande categoria. Apenas o portista Artur Augusto (por sinal… lisboeta) havia sido convocado. O afrontamento provocou no Norte um clima de contestação sem precedentes e a emotividade atingiu níveis impensáveis. A revista “Sport”, na edição de 17 de Dezembro de 1921, véspera do jogo de Madrid, zurzia nos poderes de Lisboa publicando o seguinte artigo, sob o título “Uma selecção que nada representa”»

Na pertinência desta lembrança, trazemos também à baila o tema do Mundial de 1966, já que o caso de Vítor Baía, em 2003/2004, ainda é de fresca memória. Evocando-se agora o tema da convocatória de 1966 por terem sido convocados seis elementos da equipa principal do FC Porto, tal como se vê na foto anexa (abaixo), referente à concentração para os treinos que levaram à escolha final dos 22 que integraram a delegação portuguesa dos Magriços de Inglaterra; mas dessa meia dúzia de portistas inicialmente lembrados depois só metade ficou nos selecionados, tendo sido mandados embora três e, por fim, desses só um jogou na fase final…

Repare-se assim na fotografia, onde se vêm, entre os que estiveram concentrados no estágio preliminar para o Mundial de 1966, os futebolistas do FC Porto Nóbrega, Américo, Jaime e Pinto (na primeira fila, sentados em 2º, 4º, 6º e 10º lugares a partir da esquerda), Festa, (primeiro da segunda fila, à esquerda) e Almeida (na fila de trás, último da direita ao cimo).


Assim sendo, avivamos a lembrança sobre essa campanha dos Magriços, que nunca é demasiado lembrar para fazer justiça a Américo, ao menos, por quanto ele foi referência e representa na história do F C Porto e do desporto nacional. Américo que foi o grande injustiçado do futebol português, quanto a internacionalizações pela seleção dita portuguesa, como ficou para a história. Mas, apesar de tudo, foi o melhor guarda-redes português da década dos anos sessentas. Em tempo do sistema BSB (do sistema das presidências federativas circunscritas a serem comandadas por homens de Benfica, Sporting e Belenenses). Américo era o melhor guarda-redes português, mas no Mundial de 1966 ficou a ver os jogos no banco de suplentes, porque tinham que jogar os dos clubes dos dirigentes federativos. Motivo porque do lote dos 22 “Magriços” (como foram chamados os futebolistas dessa campanha), do F C Porto só o defesa Alberto Festa pôde jogar e apenas em metade dos jogos dessa fase final. Ficando Américo e Custódio Pinto a suplentes, enquanto Nóbrega, que até chegou a ter feito o fato oficial para o efeito, ficou fora a ver os jogos pela televisão, preterido quase nos últimos dias, indo em sua vez um que jogava num clube pequeno mas que estava já comprometido com um dos clubes grandes de Lisboa.

= Américo, o primeiro "Baliza de Prata" Português!

Atendendo a essa simpatia que Américo sempre me merece, foi com grande prazer que mais tarde, já em Outubro de 2016, pude visitar seu museu particular e ver bem diante dos olhos a camisola que ele vestia e outras recordações dessas eras. Sendo com muita honra que fiquei ao seu lado em fotos que guardo…»

Armando Pinto

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