Reconstituição Histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Reconstituição histórico-documental da Vida do FC Porto em parcelas memoráveis

Criar é fazer existir, dar vida. Recriar é reconstituir. Como a criação e existência deste blogue tende a que tenha vida perene tudo o que eleva a alma portista. E ao recriar-se memórias procuramos fazer algo para que se não esqueça a história, procurando que seja reavivado o facto de terem existido valores memorávais dignos de registo; tal como se cumpra a finalidade de obtenção glorificadora, que levou a haver pessoas vencedoras, campeões conquistadores de justas vitórias, quais acontecimentos merecedores de evocação histórica.

A. P.

domingo, 29 de maio de 2016

F C Porto Campeão Nacional Supremo de Basquetebol


O F C Porto é Campeão Nacional de Basquetebol ao mais alto nível português. Conquistando esta época o campeonato maior num campeonato com que não se contava e numa modalidade em que as esperanças eram simplesmente dum melhor desempenho possível.


Grande vitória e logo diante do adversário que estivera na origem do afastamento verificado anos atrás, precisamente contra o treinador fanfarrão que gosta de dar palmadas atrás.

Ora, este sábado, o F C Porto venceu o campeonato, sagrando-se campeão pela 12ª vez, ao vencer o Benfica, no quarto jogo, por 93-85. Concluindo a final à melhor de três vitórias, em cinco jogos possíveis – sendo só precisos quatro jogos.

Então, depois de uma vitória e uma derrota na Luz, a equipa orientada pelo espanhol Moncho López venceu sexta-feira por 98-89, e na noite deste sábado voltou a derrotar o Benfica, agora por 93-85. Interrompendo assim um ciclo vencedor do Benfica de Carnide, sobretudo no período que não teve o F C Porto como adversário.


O F C Porto encestou assim um triunfo vistoso e saboroso!


De realçar o grande apoio dos adeptos presentes no pavilhão Dragão Caixa, neste jogo e ao longo de toda a época, com especial apreço para os adeptos fieis que já são clássicos no acompanhamento das modalidades de pavilhão. 


Armando Pinto

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quinta-feira, 26 de maio de 2016

O Hóquei do F C Porto na Seleção da Associação de Patinagem do Porto


Como água corredia que leva consigo agradável frescura de matar a sede e aragem fresca que transporta ameno bem estar, também o F C Porto, como grande realidade que é perante o calor do entusiasmo desportivo, leva sempre mais vigor a tudo o que necessite da presença de algo representativo, como é o caso das seleções. Seja nas chamadas seleções nacionais, dos diversos escalões, como mesmo a nível associativo, quando está em jogo uma seleção da Associação respetiva, em qualquer modalidade. Tal como tem sido no panorama do hóquei português, vindo ao caso relembrar o facto de também no hóquei em patins o F C Porto costumar valorizar as representações da Associação de Patinagem da área geo-administrativa em que o grande clube azul e branco está inserido e naturalmente filiado.

Tem assim vez, desta feita, relembrar presenças de representantes do F C Porto em eventos onde a seleção da associação portuense de hóquei esteve presente, entre as muitas ocasiões em que a Associação de Patinagem do Porto se fez representar. Damos aqui como exemplo duas circunstâncias, que servem para exemplificar a ligação correspondente.  


Assim, em linha cronológica, começamos com a lembrança duma Seleção da APP nos inícios da década de setenta, com o F C Porto representado por Cristiano e Hernâni, então (quando outros, que também poderiam ter lugar nesse lote, estavam ausentes em serviço militar na guerra colonial, tal como acontecia com Castro e Fernandes). Enquanto dos restantes selecionados, componentes dessa equipa, havia ali alguns hoquistas que mais tarde também passariam pelo F C Porto. Sendo essa seleção, que defrontou a congénere de Lisboa, composta por Cristiano, Júlio Rendeiro (ao tempo ainda no Infante de Sagres), Prezas (do Carvalhos), Hernâni, Camilo (do Valongo), Santos (Carvalhos), Branco (ex- F C Porto e ao tempo no Académico) e Vale (então ainda do Valongo).

Depois, já de princípios da década dos anos oitenta, lembramos uma outra representação associativa em que o F C Porto esteve incluído. Vindo a talhe lembrar a Seleção do Porto que foi em digressão à África do Sul, a Joanesburgo, em 1983, a convite do Malhanga Roller Hóckey, equipa derivada do antigo clube F C Malhangalene, filial do F C Porto. Cuja deslocação dessa embaixada portucalense levou um abraço das gentes do hóquei nortenho aos amigos compatriotas então radicados em Joanesburgo e que haviam rumado àquele país do sul de África depois da descolonização de Angola e Moçambique. Havendo servido de cicerone, durante a estada dos hoquistas da APP naquele país, o antigo hoquista portista Acúrcio Carrelo, à época também residente naquelas paragens.


Nessa seleção da APP estiveram naturalmente muitos e bons representantes do F C Porto, como se pode ver pela identificação da fotografia (a partir da esquerda para a direita): em cima - Fernando Barbot (antigo hoquista do FCP e ao tempo dirigente da Associação, mais próximo da equipa), João de Brito (selecionador/treinador), Alves (FC Porto), Fanã (FCP), Gentil (Oliveirense), Vítor Bruno (FCP) e Adão Castro (Vice-pres. da APP e chefe da embaixada); em baixo – Vítor Hugo (FCP), ? (guarda-redes do Valongo), ? (guarda-redes da Sanjoanense) e Licínio (Sanjoanense). Também se deslocou David Reis (FCP) que não se equipou.

De notar que o equipamento da Seleção do Porto aparece na foto colorida com camisolas verdes, por ser essa a cor normalmente colocada nas Associações do Porto, em analogia com a cor da Câmara Municipal do Porto, apesar de na cidade do Porto ser mais visível o azul, por simbiose ao F C Porto (mesmo por o Porto ser a cidade da Virgem, cuja representação também é mais azul pelo manto das vestes sagradas).

Deste modo fica refrescada a memória com mais estas curiosidades portistas e hoquísticas, entre recordações e mais raridades que vamos deslizando nos patins destas descrições.

Armando Pinto

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terça-feira, 24 de maio de 2016

Miguel Arcanjo: Um Arcanjo Azul e Branco!


Muito se tem na ideia a necessidade de ter de ser bem reforçada a defesa da equipa principal de futebol do F C Porto para a próxima época de 2016/2017, tal o enfraquecimento que o setor defensivo azul e branco tem revelado nas últimas épocas, e com mais evidência na temporada finda de 2015/16. Nomeadamente nos lugares de defesas centrais, que têm de ter outra fibra. Sobretudo na premência de voltar a haver defesas mesmo de raça portista, como antes houve bons exemplos. Até porque, lá atrás, um guarda-redes por melhor que seja tem de ter à sua frente uma defesa que ajude a não sofrer golos. Vindo à lembrança alguns defesas portistas que foram primeiras figuras do plantel de tempos idos, uns mais antigos e outros até ainda recentes, entre os que se via que sentiam bem a camisola, mas também tinham valor para defenderem o clube. Jogadores daqueles que tornaram simbólico o paradigma dos verdadeiros jogadores à Porto, de antes quebrar que torcer, bem como decididos e confiantes.


Conhecemos alguns assim, dos que vimos jogar entretanto – falando no plural, em nome pessoal, aqui o autor destas linhas. Mas sabemos ter havido outros, muitos mais antes, que jogaram noutros tempos. Aliás a vida não está tão bem feita como poderia ser, nesse aspeto e numa das perspetivas humanas, por não se poder andar mais anos cá pela terra. Pois se fosse possível viver mais (se então houvesse nascido muito antes, desde que por cá ainda andasse, podendo escrever agora mas também descrever tempos passados) … como gostaríamos de ter visto jogar alguns daqueles ídolos que deram forma à imagem com que o F C Porto foi ganhando dimensão no nosso ser, até se ter transformado em Portismo, como o que se sente sempre com o Porto no pensamento. Mas como a máquina do tempo ainda não existe, temos de contentar-nos, no caso dos defesas centrais, em ter visto as gerações duns Rolando, Valdemar, Freitas, Lima Pereira, Eurico, Celso, Aloísio, Jorge Costa, Fernando Couto, Ricardo Carvalho, Bruno Alves, bem como antes ouvíamos falar em Monteiro da Costa e outros, assim como entretanto ouvimos ainda nos relatos radiofónicos o nome de Miguel Arcanjo…

= Diversos cromos com a imagem de Miguel Arcanjo, como figura do futebol, das tradicionais coleções de pequenas estampas dos ídolos dos estádios...

Pois Miguel Arcanjo é um desportista que temos como um jogador à Porto, um defesa central que foi referência de seu tempo. Jogador que aos olhos do autor destas linhas, quando criança, era tido como alguém especial, ouvindo na catequese falar num anjo com esse nome e assim associando o “Arcanjo do Porto” a um anjo importante, o Arcanjo Miguel (S. Miguel Arcanjo) de que ouvia seu nome na igreja paroquial… Como aliás ele, o Arcanjo do futebol, era de facto representante supremo, da defesa do F C Porto.


Num breve esboço biográfico, pode anotar-se algumas passagens de seu percurso, deitando mão a dois apontamentos descritivos, com acertos pontuais e salvaguarda de omissão dos nomes dos médicos que tiveram influência nas suas recuperações, devido a haver referências diferentes e não convir dispersar atenção ao tema, que é o Arcanjo.

= Arcanjo numa das formações do F C Porto que integrou, ao tempo ainda com alguns elementos da geração de ouro dos anos cinquentas, como Pedroto, Monteiro da Costa, Teixeira, Perdigão, e outros já dos inícios da década de sessenta,  como Américo e alguns mais.

Assim sendo, conforme consta de um apontamento do trabalho de Fernando Moreira em “Dragões de Azul Forte”:


Miguel Arcanjo Arsénio de Oliveira, como era seu nome completo, nasceu no dia 13 de Maio de 1932 em Nova Lisboa, Angola. Foi um excelente defesa-central, dotado de boa técnica e sentido posicional, muito querido dos adeptos do Futebol Clube do Porto onde militou durante 16 anos.

Ingressou no clube em 1950/51 e, pouco depois, foi vítima de um problema na vista que ter-lhe-ia interrompido a carreira, tendo sido operado à retina, em 1951, em feliz intervenção que salvou Miguel Arcanjo da cegueira. O angolano viria a ser um dos maiores jogadores do F.C. Porto.


Mas só com a chegada do treinador Yustrich atingiu o objetivo de singrar no futebol português. A época de 1955-56, com a obtenção da "dobradinha" (Campeonato e Taça de Portugal), foi o ponto de partida para a grande carreira de Arcanjo. 

= Recorte de página da revista Dragões, número de Maio de 1986, com testemunhos (de Miguel Arcanjo e Hernâni) aquando da conquista do título nacional de 85/86. =

= Equipa dos Campeões de 1955/56 =

Formou com Virgílio e Osvaldo Cambalacho um trio defensivo fantástico. Na época 1956/57 o F.C. Porto participou na 2ª edição da Taça dos Clubes Campeões da Europa, como Campeão Português em título (1955/56). Os dragões defrontaram o Athletic Bilbao e Miguel Arcanjo alinhou no jogo da segunda mão, em Espanha. Foi um jogo brilhante da equipa portista que, contudo, não evitou a derrota (2-3) e a eliminação (3-5) na sua estreia em provas da UEFA. 


Em 1958 Miguel Arcanjo foi um esteio da defesa de Portugal que venceu brilhantemente o Campeonato Europeu de Seleções Militares, incluindo a equipa nacional, junto com os colegas do F C Porto Hernâni e Barbosa - a que se reporta a imagem seguinte, devidamente legendada...


Na temporada 1958/59 o F C Porto voltou a ser campeão, com Béla Guttmann, estando Miguel Arcanjo numa defesa em que sobressaía ao lado de Virgílio, Barbosa e do polivalente Monteiro da Costa.

= Campeõees de 1958/59 =

Veio depois, finalmente, a chamada à seleção portuguesa. Jogando inicialmente pela seleção B, em 1955 e 1956. Até que chegou à seleção A, em 1957. Estreando-se com a camisola das quinas diante da Itália (Portugal-Itália 3-0, de Qualificação Campeonato do Mundo a 26-5-1957, em Lisboa). Alinhando Portugal com Carlos Gomes (GR), Virgílio, Ângelo, Pedroto, Arcanjo, Emídio Graça, Vasques, Teixeira, Matateu, Salvador, Cavém – a equipa da foto ao lado.

Na primeira metade da década de 60, teve a seu lado jogadores como Festa, Paula, Ivan, Mesquita, Joaquim Jorge e Atraca. Mas não voltou a vencer qualquer prova de cariz federativo nacional. Conquistou entretanto a Taça Associação de Futebol do Porto por nove vezes.


Miguel Arcanjo foi internacional em 11 vezes (contando só as 9 chamadas oficiais às seleções A e 2 na B, sem contabilizar as internacionalizações pela seleção Militar) e jogou na fase de qualificação da Seleção A para o Mundial de 1966.

= Seleção de Portugal que em 1965 derrotou a Turquia no primeiro jogo do apuramento para o Mundial de 1966 = 

Palmarés
2 Campeonatos Nacionais da 1ª Divisão (Portugal)
2 Taças de Portugal
9 Taças Associação de Futebol do Porto
1 Europeu de Seleções Militares.

= Inclusão de Arcanjo no livro dos “Craques do Porto”, edição Quidnovi de Maio de 2001. =

Em recente artigo do jornal Público, foi também acrescentada uma parte de narrativa em estilo clássico, descrevendo:

Começou no dia 14 de Julho de 1951 a aventura europeia de Miguel Arcanjo Arsénio de Oliveira. Com 18 anos, subia a bordo do Angola para embarcar rumo a Portugal, mais concretamente ao Porto, com “escala” em Lisboa. Pela frente, o promissor defesa que tinha dado nas vistas no Sporting de Benguela tinha o sonho de uma carreira no futebol português. Para trás, deixava uma família com cinco irmãos, uma mãe dedicada e um pai que inicialmente tentou dissuadi-lo de enveredar pelo desporto. Sem êxito.

O primeiro contacto do então pequeno Miguel com o FC Porto aconteceu numa digressão dos “azuis e brancos” a Angola e ao Congo Belga. Nessa altura, o filho mais novo de Afonso Assis e Maria da Conceição não passava de um jovem adolescente a correr atrás de um autocarro que transportava, mais do que uma equipa de futebol, um sonho longínquo. Quando voltou a cruzar-se com os representantes dos “dragões”, no cais de Alcântara, era já um talento à espera de ser limado.

À chegada, porém, o futuro começou por ficar embaciado. Durante a viagem, desenvolveu uma inflamação no olho esquerdo e foi o seu corpo a pagar o preço. Com dificuldades de visão, e ainda a recuperar da perda de peso significativa que sofreu ao longo do trajeto, deixou muito a desejar nos primeiros treinos. Valeu-lhe, então… um especialista em oftalmologia.

A sua estreia, ainda pela equipa de reservas, acontecera no Campo da Constituição, num triunfo sobre o Boavista (4-1), sem que a sua prestação tivesse impressionado. Os dias foram correndo, Arcanjo foi-se adaptando e Alfredo, o principal concorrente na luta por um lugar no eixo da defesa, foi ficando para trás. Um primeiro encontro do angolano contra o Benfica, em 1953, deixou bons indicadores, mas o treinador, Fernando Vaz, mostrou algumas reticências e o seu empréstimo é equacionado.

Sempre com a vida estudantil no horizonte — uma das prioridades desde que desembarcara em Portugal —, a cedência à Académica foi ponderada, mas a chegada ao Estádio das Antas de um novo técnico, Yustrich, revolucionou-lhe a carreira. O brasileiro, muito rigoroso na preparação física dos jogadores, apostou forte em Miguel Arcanjo e não se arrependeu. Durante oito épocas consecutivas, o ágil angolano foi um indiscutível num sector no qual também se destacavam Virgílio e Osvaldo.


Da titularidade no FC Porto — consagrada após a “dobradinha” alcançada em 1955-56 — até à seleção foi um passo.Cumpriu dois jogos pela equipa B de Portugal e nove pela formação principal, num total de 810 minutos que incluíram a fase de qualificação para o Mundial da Suécia. Mas, pelo meio, não se livrou de outro susto.

Em Janeiro de 1957, após um triunfo claro sobre o Benfica (3-0), recebeu, chocado, a notícia dos médicos, depois de um exame no Centro de Medicina Desportiva: tinha-lhe detetada uma dilatação inesperada no coração. Resultado? Foi imediatamente suspenso da atividade e alvo de exames complementares. Os dias voltavam a ficar ensombrados. A possibilidade de simplesmente deixar de jogar era real.

Para quem já tinha desarmado o destino uma vez, porém, não se punha a hipótese de baixar os braços. Depois de longas reuniões entre os cardiologistas, concluiu-se que o caso era invulgar, sim, mas não anormal. Miguel Arcanjo voltava aos relvados para ser aplaudido durante mais uns anos, tendo inclusive ainda voltado à seleção nacional A, em 1965, incluindo a equipa que começou a campanha de apuramento que levaria ao Mundial de 1966. Tendo então jogado no primeiro jogo dessa campanha, diante da Turquia, fazendo dupla portista do seu lado com o colega de equipa Alberto Festa, defesa-direito. Para depois haver encerrado a carreira em 1966, com 16 anos de ligação efetiva ao FC Porto e dois campeonatos mais duas Taças de Portugal no palmarés. Além do título Europeu pela Seleção Militar de Portugal.


= Caixa referente a Arcanjo na galeria de Internacionais do F C Porto, trabalho de Rodrigues Teles (por solicitação do então presidente Pinto de Magalhães). =

= Foto de conjunto, aquando da vinda de Yustrich ao Porto em Outubro de 1987, a convite de Pinto da Costa, a fim de lhe ser então prestada uma homenagem pública pelo FC Porto – em pose de velhas guardas do F C Porto, no caso de futebolistas que tinham sido treinados pelo polémico “Homão” brasileiro. =

Falecido em Agosto de 1989, Miguel Arcanjo teve merecida referência alusiva numa página da revista Dragões de Setembro/ 89, cujas palavras escritas dão nota sentimental sintomática:


Miguel Arcanjo – Um Nome do F C Porto, antigo defesa portista e jogador à Porto. Um Homem Portista para sempre!

Armando Pinto

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domingo, 22 de maio de 2016

F C Porto pós-Jamor e eras de Lopetegui e Peseiro…


Acabou da pior forma esta época de 2015/16. Não por se perder a Taça nos penaltis, que isso é uma lotaria e será sempre para que lado pender a sorte, mas pela forma como se deixou fugir o marcador, durante o tempo regulamentar de jogo, com golos oferecidos praticamente, quer pela saída extemporânea do nosso guarda-redes, como por indecisão dos defesas, ou falta de comunicação entre eles, em suma e escrevendo abertamente, por “aselhice” defensiva. Não tendo sido o Braga que venceu esta taça, mas sim o F C Porto que a perdeu, por incompetência de alguns elementos da equipa, dentro e fora das quatro linhas, incluindo treinador e seus adjuntos com voz na matéria. Enquanto sobra para os adeptos apoiantes a maior amargura.

Contudo esta final reflete muito do que foi a época, desde Lopetegui, até à estada de Peseiro. Com a Direção e a SAD com as maiores culpas, não podendo escamotear-se a realidade. Dizendo isto não por qualquer motivo pessoal, até porque tenho grande admiração clubista e reconhecimento de apreço pelo nosso Presidente, mas por razões portistas, do que salta à vista desarmada. Como, entre tantas decisões, acontece com a política de certos empréstimos, tal como num passado recente aconteceu com aquele tal Tozé que ajudou o F C Porto a perder um campeonato e depois disso tem feito uma carreira muito irregular, como agora sucede com Josué, que nunca mais será bem visto de azul e branco, digam o que disserem. Além naturalmente de ter de haver melhor política de contratações, pois que a equipa deste ano parece ter sido quase à imagem de outrora, em tempos de passar a ponte, só que desta feita até de jogar em casa (embora aí por motivos também dos assobiadores que se deixam ir em certas ondas).

De uma vez por todas, no F C Porto têm de jogar pessoas que se identifiquem com o F C Porto e mais nada!

Assim sendo, sem colocar tudo em questão, mas apenas o que leva a este mau momento, que encerrou a época num triste fim de tarde, não é tarde nem cedo para arrepiar caminho e começar a fazer as coisas bem feitas. Não com Peseiro a planear a próxima época, como ele quis fazer crer em declarações a quente, nem com choradinhos que já não levam a lado nenhum, tal como também não é por bater no peito que se será melhor ou pior.

Claro que podem e devem vir futuramente melhores dias, mas é preciso fazer por isso, senhores responsáveis!


Armando Pinto

sábado, 21 de maio de 2016

Taça de Portugal transbordante de curiosidades memoriais portistas!


Eis que chega neste domingo 22 de Maio o final da época do futebol sénior nacional, com a disputa da final da Taça de Portugal, no jogo tradicionalmente apelidado de festa do futebol. Sendo a Taça de Portugal a mais importante prova portuguesa disputada por equipas de diferentes divisões, englobando nas eliminatórias também equipas de campeonatos de Ligas diversas, na caminhada que tem apoteose no encontro final.


Na chegada à final, que desta vez tem como finalistas o F C Porto e o Braga, culmina todo o trajeto acontecido ao longo da temporada, mas também todo o espírito que tal realização transporta ao longo dos tempos, como que transbordando da taça o sentimento que congrega.


Ora, nesse sentido, a Taça de Portugal de futebol está bem cheia de muitas e boas recordações portistas, nas 16 conquistas já alcançadas. Desde o mais antigo triunfo, a partir que a prova tem este nome, tendo sido Yustrich o primeiro a orientar uma equipa do F C Porto que recebeu a Taça de Portugal, em 1956, até ao mais recente feito de André Vilas Boas, em 2011. Ficando esses incluídos nos 13 treinadores vitoriosos na Taça pelo F C Porto: Yustrich, Otto Bumbel, José Maria Pedroto, António Morais, Tomislav Ivic, Artur Jorge, Bobby Robson, António Oliveira, Fernando Santos, José Mourinho, Co Adrianse, Jesualdo Ferreira e André Villas-Boas (tendo Pedroto, Fernando Santos e Jesualdo bisado nas vitórias finais). Bem como, entre essas 16 conquistas, há para já seis futebolistas do passado que se destacam nos números históricos com mais taças conquistadas, detendo cinco campanhas vitoriosas, como são Aloísio, Paulinho Santos, Domingos, Jorge Costa, Secretário e Vítor Baía.

Então, se a vitória sorrir para o F C Porto na final de agora, neste Maio de 2016, pode pois José Peseiro entrar na galeria dos treinadores vencedores da Taça e o guarda-redes Helton pode-se juntar ao ínclito grupo dos que ganharam cinco Taças de Portugal. 

Além desses, há muitos que também venceram essa Taça mais que uma vez, dos quais lembramos, como exemplos de nomes que perduram na admiração clubista, entre tantos, uns Miguel Arcanjo, Carlos Duarte e Monteiro da Costa - para referir nomes mais antigos, porque de mais novos mesmo as gerações recentes guardam conhecimento e recordação.


Entre tantos vultos sagrados dessas eras, há contudo dois nomes que ficaram muito ligados ao percurso vitorioso do F C Porto na história da Taça de Portugal - Hernâni Silva e Virgílio Mendes.


Assim e de qualquer forma, além e por entre essas e outras curiosidades, grandes nomes da história do futebol portista continuam em lugar de relevo nas memórias da Taça, bem como noutras também. Tal, em lugar avantajado na história do F C Porto, Virgílio é e continuará a ser o Dragão com mais jogos na Taça. Esse antigo lateral-direito, que representou o FC Porto entre 1947 e 1962, jogou 85 partidas da Taça de Portugal, tendo vencido dois troféus. Enquanto o maior goleador na Taça com a camisola do FC Porto é Hernâni, autor de 54 golos, ele que também ganhou dois troféus, em cujas finais foi o goleador de serviço, com dois golos na vitória sobre o Torreense por 2-0 em 1956 e o golo da vitória sobre o Benfica por 1-0 em 1958.


Em vista destas estatísticas memoriais, dos dois antigos ídolos juntamos fichas respetivas, mais gravuras de cromos desse tempo com as caras dos mesmos Hernâni e Virgílio, mais de seus colegas de equipa Arcanjo, Carlos Duarte e António Monteiro da Costa; ao passo que do atual guardião, Helton, homenageamos a sua longevidade na defesa do F C Porto com uma foto especial, com que ilustramos estas lembranças.


Para finalização apoteótica desta crónica, também, e como neste domingo dia 22 de maio, no próprio dia da final deste ano, em que o F C Porto defronta o Braga, faz precisamente cinco anos que o F C Porto venceu a Taça (curiosamente com outro representante do Minho, então o Guimarães), recordamos essa façanha de 2011 através de imagem alusiva, da mais recente vez que o F C Porto ergueu a Taça de Portugal em pleno Jamor, quando a histórica taça foi levantada jubilosamente em mãos de representantes do F C Porto.


Armando Pinto

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